Vale do Pati, Bahia, Brasil

Por Talis Mauricio*

Eu poderia começar este texto exagerando em adjetivos, elogios, piruetas literárias… Vou direto ao assunto: o Vale do Pati é considerado, nada mais nada menos, o treeking mais bonito do Brasil, top five do mundo. Fica no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia. É desses passeios que os turistas tradicionais não costumam fazer, pois o acesso só se dá a pé, exigindo um certo preparo físico, amor à natureza e (o mais difícil) desapego. Afinal, são, no mínimo, três dias no meio do mato, sem televisão, rádio ou sinal de celular. No meu caso, embarquei na aventura de cinco dias, a melhor opção para conhecer pelo menos as principais atrações do Pati.

Fui em dezembro de 2014, época boa, de muito sol, chuva na medida certa. E, como foram muitas as experiências, impossíveis de descrever apenas por aqui, vou falar apenas das três principais. Digo, as três paisagens que mais me surpreenderam. Sim, porque o lugar é simplesmente mágico, encantador. Ou, como costumam chamar os hippies locais, “um portal, meu velho”.

No primeiro dia de trilha, anda-se muito, muito mesmo. Meu grupo (eu, o guia e duas cariocas) decidiu partir do Vale do Capão, o que torna o caminho até o Pati beeeem mais longo. São 22 km de subida e descida! Se vale a pena? Claro, eu faria tudo de novo. Faria porque foi no primeiro dia, duas horas após o início da caminhada, que tive a primeira recompensa. Sempre ouvi falar do paraíso, mas estar no Gerais do Vieira, uma planície de vegetação rasteira, a 800 metros de altitude, foi minha primeira constatação prática.

Gerais do Vieira

Gerais do Vieira

Olhar aquela infinidade, o céu azul sem nuvens, o desenho das montanhas ao longe, sem sombra de dúvidas me fez chegar a uma conclusão: a vida é boa! Inclusive, é de lá que nascem alguns rios que, mais tarde, formam a principal bacia hidrográfica do Estado da Bahia: a bacia do Rio Paraguaçu.

A segunda good vibe se deu no segundo dia de trilha, já no Vale do Pati. Fizemos o Cachoeirão por cima, uma caminhada de mais ou menos 3 horas apenas de ida. Nunca vou esquecer a chegada àquele lugar, a primeira vista que tive do Cânion do Cachoeirão. Sabe aqueles lugares que você para, olha e pensa: “como é que isso aqui se formou?”. E chega à conclusão simplista de que só pode ter sido Deus ou as mãos divinas de algo superior a nós. Eu simplesmente não conseguia ir embora, parar de deslumbrar aquela paisagem.

Vale do Cachoeirão

Vale do Cachoeirão

Infelizmente, não demos a sorte de pegar o Cachoeirão com muita água. Havia apenas duas quedas. Dizem que na época da cheia são mais de 20 cascatas, numa espécie de orquestra hídrica cujo cenário é 10 vezes mais encantador. Nós ainda encaramos o Cachoeirão por baixo, no quarto dia, mas é um esforço que serve mais por curiosidade. Do alto ele é muito mais belo.

A terceira boa coisa é bem simples. Eu fiquei entre falar da Cachoeira do Funil, a vista do Morro do Castelo, da Igrejinha, logo quando se chega ao Pati, entre outros. Mas o que me chamou muito a atenção também foram as casinhas dos nativos, feitas de pau a pique, no pé de montanhas gigantescas.

São poucas, se não me engano há apenas 12 famílias vivendo no Pati. Adormecer e acordar ao lado daqueles paredões, fazendo um forrozinho ou batendo um papo com a galera, é algo que vou levar pro resto da vida.

Casa do Morro

Casa do Morro

A vida é mesmo boa… e bem simples. Nós é que complicamos! Quer saber mais detalhes, visite o Vale do Pati.

*Talis Mauricio é jornalista e tem outro texto no blog: Conhecendo a Resex do Mandira

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De mal de São Paulo

Por Fabiana Novello

Vale do Anhangabaú

Vale do Anhangabaú

Sempre quando chega perto do aniversário de São Paulo eu penso mais sobre a cidade. Já expressei aqui tantas vezes meu encantamento por ela. Mas hoje… Hoje eu olhei São Paulo e só vi seus defeitos, seus desrespeitos. Acho que acordei de mal de São Paulo.

Hoje só vi sua sujeira, seus velhos problemas. São Paulo vive de velhas discussões. Sempre a enchente, a falta de luz, os semáforos quebrados, a falta de moradia, o mato, os buracos, os rios e córregos imundos, a falta de água, o trânsito, o metrô e os ônibus lotados. Nada muda. Ano após ano. Parece que São Paulo não anda. O tempo passa, as pessoas correm e a cidade não evolui.

São Paulo também está cada vez mais abafada, suas árvores estão sumindo. E como é cara! Caríssima! E desigual.

Hoje nem o Vale do Anhangabaú, um dos lugares que mais gosto na cidade, escapou. Olhei pra ele e senti pena. Podia ser tão mais bonito, mais bem cuidado. Devia ser o cartão postal do centro.

A maior cidade do país que se orgulha tanto do seu trabalho, da sua “modernidade”, me pareceu hoje mais miserável do que nunca. Acho que vai demorar pra gente fazer as pazes.

 

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O desejo de voltar

Por Fabiana Novello

Essa história toda de Estados Unidos e Cuba retomarem as relações me deu um desejo danado de voltar a ilha. Já escrevi sobre Havana e Varadero aqui. Faz 11 anos que estive lá. Fui procurar agora as fotos da viagem para remontá-la na minha cabeça e me deu uma saudade…  veio também aquele pensamento “eu podia ter ido a mais lugares nos país. Por que não fui?” Acho que não fui porque era a minha primeira viagem internacional e ainda não sabia como planejar direito tudo. E porque estava caro também. Na época, o dólar estava 3 reais.

Havana é o lugar mais singular que eu conheço. Acho que não deve existir no mundo nenhuma cidade parecida. É como se fosse uma volta ao passado. Minha sensação lá era que a cidade tinha parado um instante no tempo e caminhava lentamente atrás do resto do mundo. E também é cheia de energia das pessoas, um povo simples que gosta de conversar. Pelo menos pareceu ser assim pra mim. E é essa lembrança que tenho forte na minha mente. Aliás, lembro de algumas coisas, de alguns lugares, como se a minha viagem tivesse sido ontem.

Fico pensando como será daqui pra frente. Espero que tudo isso seja bom para os cubanos. Espero que esse embargo sem sentido acabe e que Havana continue do jeito que é: autêntica. Que continue sendo uma janelinha para o passado pra que ninguém esqueça a sua história, mas que tenha mais oportunidades para seu povo, que tenha mais liberdade.

Eu já sei o qual será a primeira coisa que farei quando eu voltar a Havana. Vou caminhar sem destino pelo Malecón. Depois vou procurar onde comer uma banana frita que comi na casa de uma família cubana. Que saudade! Hasta luego!

Rua de Havana

Rua de Havana

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Toledo

Por Fabiana Novello

as ruas estreitas de Toledo

as ruas estreitas de Toledo

Uma das vantagens de Madri, na Espanha, é estar perto de outras cidades muito interessantes. Toledo é uma delas.

Toledo está a 70 km de Madri. Dá pra ir e voltar no mesmo dia. A opção mais rápida para chegar é o trem de alta velocidade. A viagem sem paradas dura 30 minutos e a passagem custa 10,15 euros a ida e o mesmo valor a volta. Eu comprei os bilhetes pela internet, no site da companhia Renfe, que gerencia o transporte.

A viagem vale a pena desde o embarque. Em Madri, o trem sai da bela estação Puerta de Atocha que tem um jardim interno muito bonito.

Fui de segunda classe mesmo. Os vagões são espaçosos e as poltronas são confortáveis. Mais do que o suficiente para uma viagem tão curta. O único incômodo para mim aconteceu na ida, mas nada que estragasse a viagem. No vagão em que eu estava todas as poltronas eram de costas. Isso sempre me faz mal, me enjoa, por isso sempre prefiro assentos de frente ou de lado. Mas como não tinha outro jeito, encarei e o Dramin acabou segurando bem. Foi só não mexer muito a cabeça.

Toledo é uma cidade medieval. A parte histórica está no alto da colina. Na estação de trem há ônibus e táxis que levam até lá. Eu preferi ir a pé porque é muito perto.

No caminho que fiz está a linda ponte de Alcântara com uma bela vista para o rio Tejo. Passando por ela, encontrei uma escada que leva ao centro histórico. Subi mais de 200 degraus. Mas, calma, você não precisa fazer isso. Há outros caminhos e há escadas rolantes também. E como eu disse, você pode ir de táxi ou ônibus, ou carro se tiver alugado um.

Após a subida, logo o visitante encontra a praça Zocodover e de lá, com um mapa na mão (na estação de trem custa 2 euros), você vai fazendo seu roteiro ou anda meio sem rumo como eu e vai descobrindo e conhecendo o que aparecer no caminho. Vai se perdendo pelas ruas estreitas da cidade.

A Catedral é linda demais. Há uma mesquita e sinagogas também. Há ainda um museu dedicado ao artista El Grecco. Ah! E acho que em praticamente todas as lojas de artesanato há espadas e armaduras de cavaleiros.  A comida também é um espetáculo. Tem para todos os bolsos. É só pesquisar. Eu comi um cozido. Pra quem gosta de marzipan, as confeitarias têm aos montes.

Eu cheguei a Toledo pouco depois das 10h. Céu encoberto. Um friozinho… Cachecol, casaco. O Sol foi aparecendo durante o dia, deixando as paisagens vistas do alto da colina mais bonitas. E o fim de tarde foi um convite pra voltar.

vista da ponte de Alcântara, Toledo.

vista da ponte de Alcântara, Toledo.

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De tirar o fôlego: Montjuic

Por Fabiana Novello

Porto visto do Parc Montjuic

Porto visto do Parc Montjuic

Várias cidades em uma só. Assim Barcelona é pra mim. E Parc Montjuic é certamente uma delas. É uma montanha; a maior área verde de Barcelona. E é de tirar o fôlego. Literalmente.

Olhando no mapa, Parc Montjuïc parecia estar perto de onde eu estava hospedada. Era só seguir a rua inteira e depois pegar o caminho até o Castelo. “Vou a pé”, decidi.

Andei, andei, andei até me deparar com uma escada. Subi, nem lembro quantos degraus, mas foram muitos. Era só o começo da caminhada, eu apenas tinha chegado à montanha. O Castelo ainda estava longe, no topo.

Continuei subindo a pé e encontrei lugares lindos, como os Jardins de Miramar, de onde já dá pra ver Barcelona do alto. O dia estava lindo, com um vento fresco, bom pra caminhar. Mas teve uma hora que eu cansei, confesso. Mesmo fazendo paradas, cansei. Então decidi subir o trecho que faltava até o Castelo de teleférico.

Enfrentei meu medo de altura e fui. O bilhete custa 7,50 euros. Acho que cabem umas cinco, seis pessoas. Balançou um pouco, mas foi tão rápido que nem deu tempo de enjoar. E a vista de lá de cima compensa qualquer sacrifício.

O teleférico te deixa exatamente no Castelo de Montjuic. A entrada custa 5 euros. O Castelo foi construído no fim de 1640, início de 1641, durante uma guerra. Foi feito em 30 dias. Passou por várias reformas. O que está lá hoje foi feito entre 1753 e 1779. É incrível! Você caminha pela muralha e vê a cidade lá embaixo como se fosse feita de miniaturas. Sem contar a vista do mar…

A descida da montanha eu fiz toda a pé. Aproveitei para conhecer a fundação Joan Miró que tem a mais completa coleção do artista. Parada obrigatória!

Está lá também o Museu Nacional de Arte da Catalunha que só pela sua construção e pela cascata já vale a visita. E tem tantos outros lugares que um dia só não é suficiente. Parc Montjuïc é incrível demais.

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Madri ou Barcelona?

Por Fabiana Novello

Madri era a cidade mais bonita do meu pequeno mundo. E continua sendo, mas agora divide o posto com Barcelona.

Comecei a pensar sobre isso quando cheguei à capital da Catalunha. Era um fim de tarde de domingo. Andei pela Rambla até chegar à marina ( Port Vell ). Atravessei a ponte giratória lotada de gente, caminhei um pouco e sentei num banco para esperar o Sol se pôr. Duas brasileiras que estavam no último dia de viagem sentaram ao meu lado e a conversa começou. Uma delas me perguntou: “Madri ou Barcelona?” Eu tinha acabado de chegar, ainda não tinha como fazer a comparação. Mas, por que uma delas? Por que não as duas? Pois então, quando terminei minha viagem, escolhi as duas. Madri e Barcelona são as cidades mais bonitas do meu pequeno mundo.

Parque do Retiro, Madri

Parque do Retiro, Madri

Essa foi a segunda vez que fui a Madri. Já escrevi sobre ela aqui no blog. Dessa vez a temperatura ajudou. Fui a alguns lugares que eu não tinha ido como o belo Parque do Retiro. Caminhei pelo Paseo de la Castellana inteiro, fui ao bairro de Salamanca, onde está, por exemplo, o Jardim dos Descobrimentos e as ruas Serrano, Jorge Juan, Goya e Claudio Coelho que reúnem lojas lindas e caras. E voltei a outros lugares como o Mercado de São Miguel. Comi muito, claro. Aliás a comida é uma das razões de eu gostar tanto de Madri. A limpeza, o metrô (que eu achei muito eficiente e fácil de usar), a sensação de segurança, os paseos com suas árvores maravilhosas são outros fatores que me levam a ter certeza de que eu moraria tranquilamente na capital da Espanha.

Port Vell, Barcelona

Port Vell, Barcelona

Moraria também em Barcelona. Que cidade incrível! Tão viva, tão ativa, tão alegre. Sabe aquelas cidades que te chamam pra rua? Assim é Barcelona pra mim. Quanto mais você anda, mais quer andar. Quanto mais você conhece, mais quer conhecer e se encantar. E a crise parece que nem perto chegou da região. O bairro gótico, o mar Mediterrâneo, o porto, Gaudí, Eixample, Montjuic, Miró, as praias. Várias cidades em uma só. Acho que nem se eu tivesse ficado um mês eu teria conhecido e aproveitado tudo o que Barcelona tem. E sobre ela vou escrever mais em outros posts.

A consulta popular sobre a separação da Catalunha do resto da Espanha era assunto recorrente nos noticiários durante a minha viagem. A divisão existe lá. Mas no meu pequeno mundo, Barcelona e Madri ocupam o mesmo lugar.

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Mala perdida 2

Por Fabiana Novello

Minha mala um pouco mais suja

Minha mala um pouco mais suja

É, aconteceu de novo. Pela segunda vez consecutiva, eu cheguei ao meu destino e minha mala não. Agora foi num voo da Air France. Saí do aeroporto de Guarulhos rumo a Madri, com uma rápida parada em Paris. A mala devia ter ido direto para Madri, mas acabou ficando na capital francesa. Que chateação! Dessa vez me deu aquela sensação de preguiça, sabe? Afinal, quem quer ter problemas na viagem de férias?

Enfim, fiz o que tinha que fazer. Registrei na hora a reclamação. Eu e vários outros passageiros de diversas companhias. Dessa vez a atendente colocou o número do processo que é fundamental para acompanhar a situação da bagagem. E a devolução foi mais rápida: no dia seguinte minha mala foi entegue no hotel que eu indiquei. Só chegou um pouco mais suja.

Eu também estava mais bem preparada para essa situação. Tomei o cuidado de levar uma muda de roupa na bagagem de mão, além de tênis e remédios. E essa é a dica que deixo aqui.

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