A Pompeia

Por Fabiana Novello

Casas que ainda existem na Pompeia. A foto foi feita por minha irmã Paula Novello

A Pompeia é o bairro da casa da minha infância, do tempo que eu andava descalça na rua, brincava de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, queimada. A Pompeia é sentar no muro de casa, é brincar de boneca e bexiga de água, é tocar a campainha do vizinho e sair correndo. É o pé-de-moleque, a paçoquinha e o doce de leite do “seu Abílio” e do “seu Guimarães”.

A Pompeia é a avenida que tem seu nome e que dá um frio na barriga porque parece um tobogã. É a Igreja Nossa Senhora do Rosário e o “Sagrado”, o colégio em que estudei desde pequena. É o bairro das subidas, não tão íngremes como as de Perdizes, mas que também exigem fôlego. Aliás, Pompeia é Perdizes se confundem, né?

Na Pompeia, a gente fala os nomes de algumas ruas de uma forma diferente: “Caraíbas” é “Caraibas”, e “Cayowaá” é “Caióvas”, no dialeto dos moradores antigos. É o bairro onde os “operários das antigas indústrias Matarazzo foram morar”, como conta meu pai. É o bairro onde tanta casa já foi derrubada, mas algumas ainda resistem. É o retrato da especulação imobiliária que, infelizmente, a deixou mais impessoal. Que pena!

A Pompeia é o Palmeiras, é o verde espalhado nos dias de jogos, é o grito da torcida ouvido de longe. Eu sei que torcedores de outros times também moram na área e talvez, hoje em dia, sejam até a maioria. Mas não importa. A Pompeia é a casa do Palestra e quando tem jogo, ela fica mais bonita, mais vibrante.

A Pompeia já foi o bairro das locadoras (tinha uma em cada esquina, praticamente), das lojas de sapato, das pizzarias Delivery. A Sears também era ali na região, assim como o shopping Matarazzo e o Superbom. Hoje, estão lá o Sesc Pompeia, o shopping Bourbon, os bares, restaurantes e a feirinha de artes, que ocorre no mês de maio.

A Pompeia é a comida da minha mãe, é o som dos passarinhos e uma ou outra rua de paralelepípedo. É o lugar das minhas melhores lembranças. É a minha casa. Pra sempre.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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2 respostas para A Pompeia

  1. Simone disse:

    Delícia de texto, Novello!!! Eu não nasci aí, mas é como se tivesse. Meu coração pertence a esta região da cidade. Não vejo a hora de morar outra vez nessa zona mista Perdizes-Pompeia, trabalhando arduamente para isso. Já tive 4 endereços diferentes aí, e agora desejo o quinto . A propósito, alguém quer uma apto no Brooklin, para eu poder voltar para casa….a casa do meu coração, nas ladeiras das Perdizes??? Rsrs

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