O pinheiro

Por Fabiana Novello

Na casa da minha infância tinha um pinheiro enorme, já até comentei sobre ele em outro post. E eu amava esse pinheiro. Para entrar na minha casa, tinha que descer uma escada e ao lado dela estava o jardim. O jardim ia acompanhando a escada e, por isso, ele era inclinado. Conseguem imaginar? Se eu desenhasse bem, ficaria mais fácil explicar. Mas não o caso, então tentem imaginar.

Era um pequeno jardim, mas para mim era enorme, afinal, quando a gente é criança, tudo parece grande. E no jardim estava o pinheiro, alto, muito alto; acho até que o topo dele atingia a casa de cima. Não sei de qual espécie era, mas era daqueles que possuem os galhos mais abertos. Eu adorava olhar o pinheiro. Nunca o escalei, até porque isso nunca me passou pela cabeça. E se tivesse passado, não teria coragem porque tenho medo de altura desde sempre.

Por vezes, pensamos em decorá-lo no Natal com luzinhas. Mas nunca fizemos isso e eu nem sei por quê. Talvez por causa do tamanho dele, não sei. Mas nem por isso, no meu imaginário de criança, ele deixava de ser o nosso pinheiro de Natal, mesmo tendo dentro de casa uma árvore montada.

Um dia o pinheiro se foi e restou apenas um pedaço do tronco. Escrevendo esse texto, puxei nas minhas lembranças o motivo, mas não o encontrei. Recorri a minha irmã gêmea, que tem a melhor memória do mundo, mas ela também não se lembrava. Minhas outras duas irmãs também não sabiam. A minha mãe se empolgou com a minha apuração e me ligou pra contar a história do pinheiro. “Esse pinheirinho foi plantado pelas bandeirantes, a tia Tuca, lembra dela? Era uma mudinha. E durante uns 10 anos, elas foram até em casa para cantar músicas de Natal na frente dele”, disse. Que pena que eu ainda não era nascida nessa época.

E por que o Pinheiro foi cortado? A resposta veio do meu pai. “A raiz estava quebrando o chão”, disse. E aí, não teve outro jeito. Saudade, pinheiro. Saudade, infância. Saudades.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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