A minha São Paulo

Por Gabriela Rangel*

Pateo do Colegio (foto de Gabriela Rangel)

Pateo do Collegio (foto de Gabriela Rangel)

Lembro muito bem da minha primeira vez “de verdade” em São Paulo, já era grande, tinha 15 anos. Foi bom porque as impressões ficaram guardadas de forma muito clara e é sobre elas que vou falar neste texto.

Apesar de morar toda a vida em uma cidade que fica a apenas duas horas da capital paulista, antes de 2004, São Paulo se resumia à Marginal do Rio Tietê, rodoviária do Tietê e Playcenter. Quando minha Tia Cássia me convidou naquele mesmo ano para participar com ela de uma excursão do curso de italiano, eu aceitei, porque sou do tipo que aceita quase tudo, mas fiquei receosa… São Paulo na minha imaginação era cinza sempre, feia e muito violenta. Eu achava que o ônibus em que iríamos fazer o tour seria blindado. Olha o exagero!

O dia do passeio chegou e foi tudo ótimo, sem veículo blindado, em um fim de semana de clima agradável. Passei por bairros como Jardins e Higienópolis, vi os moradores ocupando as ruas com carrinhos de bebês e cachorros. Fui a vários pontos turísticos: Estação da Luz, Pinacoteca, Pateo do Collegio e Museu de Arte Sacra. Em um único dia, recebi mais cultura do que em todos os anos anteriores juntos.

No Pateo do Collegio fiquei extremamente intrigada com a paisagem composta de edifícios históricos, arquitetonicamente lindos e outros completamente abandonados e degradados…. no horizonte, como se fossem um símbolo de toda aquela “bela feiura”, estavam os treme-tremes Mercúrio e São Vito. Naquela época, eu não tinha ideia do que eles significavam, mas presumi corretamente: São Paulo é cheia de contrastes e mudanças. O que é luxo num dia vira lixo no outro. Aos 15 anos, eu queria ser arquiteta e tudo isso fazia a minha cabeça. Três anos depois me mudei para São Paulo. Seis anos depois, virei jornalista e as ocupações de sem-teto em prédios do centro foram o tema do meu TCC . No dia do passeio, entrei em contato com muito do que viria a ser a minha vida no futuro.

Além disso, vale mencionar que fiquei emocionada quando passei pelo Largo do Arouche, tão citado pelo Caco Antibes, personagem do famoso Sai de Baixo.

E essa é a história de como São Paulo me fisgou. Mais do que isso, de como me encontrei nesta cidade. Atualmente tenho até um blog que uso para compartilhar experiências, uma iniciativa de poucas pretensões. Estou longe de ser uma especialista em São Paulo, tenho até uma confissão que é a prova disso: nunca fui ao Mercadão​.

*Gabriela Rangel é jornalista, adora São Paulo e tem o blog Tal Garoa

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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