Málaga, a conquistadora

Por Mário Marra*

Catedral de Málaga (ao fundo)

Catedral de Málaga (ao fundo)

Mas o que Málaga tem de diferente? A pergunta se repetia e minhas respostas ficavam no lugar comum de ser uma das cidades mais importantes do Sul da Espanha ou por ser Málaga a cidade de Picasso. Na verdade, nem eu mesmo sabia direito o que veria em Málaga.

Chegamos, eu e Danilo, meu filho de doze anos. Mal dormimos no avião e estávamos logo cedo sendo apresentados ao vento frio e ao tímido sol daquele dezembro.

O hotel reservado não era em Málaga capital. Saímos do aeroporto e pegamos o trem para Fuengirola. A pequena Cidade do Sol tem aproximadamente 70 mil habitantes e todo o charme de uma cidade da Andalucía. Ainda na recepção do hotel pude experimentar a alegria do povo daquele lugar. Entre o preenchimento da ficha e o processo de passar cartão e pagar, Jesús, responsável pela recepção, descobriu que o futebol era a paixão da família e tratou de nos convidar para o jogo do dia seguinte, no Rosaleda, em Málaga. Convite feito, convite aceito.

Instalados, tínhamos a curiosidade como mola e a agradável acolhida como cenário. Passeamos pelas ruas calmas de Los Boliches e voltamos ao trem para Málaga. A cidade tinha o agito de uma cidade grande. Trânsito, pequena fila no trem, gente andando rápido e falando ao telefone. Tudo normal de uma cidade grande nos nossos dias, mas tudo muito limpo, organizado e bem sinalizado.

O objetivo era conhecer a casa de Pablo Picasso, mas as pequenas ruas, fechadas aos carros, do centro de Málaga, escondiam imensas igrejas, museus e construções antigas. Caminhamos. A ideia continuava sendo achar a Plaza de la Merced, mas o que dizer quando o centro histórico de Málaga me proporcionou, após uma leve curvinha à direita, a vista da estonteante Catedral de Málaga? Parei para respirar e meu filho, no alto de seus doze anos, levantou a voz e deixou claro para o que vale um ponto de exclamação.

Outros minutos de caminhada entre bares, com muita gente tomando vinho, e me percebi em Roma. Roma na Espanha? Sim. O teatro romano, na colina de Alcazaba, recebe artistas e turistas de todas as partes do mundo. Vi jovens ensaiando peças, crianças descendo as ruínas, plantas, turistas escolhendo poses.

Já sabia que estávamos no caminho certo. Umas curvinhas para lá e outras para cá e a praça chegou. Lá estava ele. Quieto, sentadinho. Pablo Picasso viveu ali boa parte da sua vida. É fácil entender que a inspiração só exigia olhos abertos e um pouco mais de sensibilidade.

Málaga é linda, cheia de charme. Não se deixe enganar com os passos apressados de gente da metrópole. Nem se assuste com a velocidade das suas muitas bicicletas. Ande mais e mais e ande até conhecer a casa de Picasso. Vá! Corra até o Museu e veja o que outros artistas fizeram para ele. Ande mais. Agora desça. Desça até ficar de olhos e queixo caídos com o que Málaga fez com o grande problema de muitas cidades litorâneas.

O porto de Málaga poderia ser um shopping. Bem cuidado, o lugar foi projetado para receber turistas. O restaurante El Palmeiral de las Surpresas é um bom lugar para um vinho (prefiro cerveja) e para ver o movimento de crianças, jovens e turistas. As crianças têm lugar para jogar bola e usar com orgulho camisa do time local. Casais de adolescentes esticam as pernas nos bancos e sofás, sob o olhar das palmeiras. Turistas, crianças e jovens entram e saem da biblioteca e do museu do porto. O lugar respira, vive.

Já no Brasil, tentei entender o que o Danilo viu e o que mais gostou da nossa viagem. As respostas não passavam muito de um “muito legal” ou “foi bom demais”. Mas aquela cabecinha revelou que mantinha firme o plano de ser jogador de futebol e de um dia, quem sabe nem tão longe assim, ele me levaria para morar com ele em Málaga. O engraçado é que a história ensina que os fenícios criaram e que os gregos conquistaram. Os cartagineses e depois os romanos conquistaram também e que os árabes mais tarde… A história erra. Foi Málaga que conquistou.

Porto de Málaga

Porto de Málaga

*Mário Marra é jornalista, comentarista, entende tudo de futebol  e foi conquistado por Málaga

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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3 respostas para Málaga, a conquistadora

  1. E eu fiquei com uma imensa vontade de conhecer esse lugar

  2. Luciana disse:

    Cidade linda, catedral esplêndida, atmosfera mediterrânea… não tem como errar. Só gostaria de ter tido mais tempo para conhecê-la melhor!

  3. Maria da Conceição Pieri disse:

    Mario, tem até uma musica, que se chama Malaguenha, voce já ouviu?

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