Uma voltinha no shopping

Por Leda Letra*

Essa onda de notícias sobre os “rolezinhos” nos shoppings de São Paulo e do Rio me fez relembrar, com saudades, da minha adolescência nos anos 1990. Garota de classe média, estudante de “colégio de freiras”, minha principal fonte de lazer era passear no shopping, em especial no West Plaza.

Este era o mais perto de casa, na zona norte, e na época, nada decadente como hoje. Perdi as contas de quantas vezes o programa da família era almoçar no West Plaza aos sábados ou domingos. E dar “uma voltinha no shopping” era o que eu mais gostava de fazer com as amigas do colégio.

No meu bairro, a Casa Verde, não tinha um parque ou praça legal, um museu bacana ou quadra de esportes, como em tantos outros bairros paulistanos. Sem opção, a gente ia para o shopping dar uma volta. Mas não íamos com o intuito de gastar, de consumir, pelo contrário.

Éramos adolescentes de 12 a 18 anos, andando pelos corredores do West Plaza, fofocando, olhando as lojas, dando risadas e claro, comendo no McDonalds. Às vezes rolava uma comprinha ou outra e confesso, sem vergonha: sempre voltava com uma sacolinha das Lojas Americanas com chocolates e outras besteiras que encontrava por lá.

Na época, ainda existia o Shopping Matarazzo, onde eu ia com minha turma de amigos jogar boliche. Depois veio o Shopping Higienópolis, mais chique, por isso nossa única meta lá era ir ao cinema ou comer na praça de alimentação quando a gente enjoava do West Plaza.

Foi um período bom e saudoso – ainda lembro de horas e horas de conversas e risadas com um grupo grande de amigos na praça de alimentação desses shoppings. Para os nossos pais, era seguro saber que estávamos ali e não no meio da rua. Ir ao shopping com os amigos da escola era a única coisa que eu podia fazer sozinha, sem pai nem mãe.

Lendo sobre os atuais “rolezinhos”,  fico bem triste de ver que pouca coisa mudou e que o shopping center ainda é um dos poucos meios de lazer dos adolescentes de hoje. Isso, claro, quando não são proibidos de entrarem lá.

*Leda Letra é jornalista

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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Uma resposta para Uma voltinha no shopping

  1. Eu também ia a shoppings na minha adolescência. Acho que é meio cultural isso. Parece que shopping é meio que simbólico para os adolescentes, não sei. E faltam opções de lazer em vários bairros de São Paulo. Isso é fato. Ao mesmo tempo, acho que aproveitamos pouco os espaços da cidade. Hoje sei que um parque é muito melhor que um shopping. São fases da vida.

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