Verão em Nova York

Por Leda Letra*

pista de corrida, rio East. Nova York

pista de corrida, rio East. Nova York

A Nova York de quem aqui vive é bem diferente da Nova York dos turistas. E para quem aqui vive, a Nova York do verão é uma mistura de sonho com pesadelo. O ano tem 12 meses e passamos sete ou oito usando casacos de frio. O verão é então a época mais esperada.

Aqui, o sonho começa oficialmente na última segunda-feira de maio, no “Memorial Day” ou “Dia da Memória”. É um feriado nacional em homenagem aos que morreram servindo as Forças Armadas americanas.

Quando o “Memorial Day” chega, muita gente corre para a luxuosa região de praias dos Hamptons. O resto (e eu faço parte desse grupo) fica pela cidade mesmo. Mas como esperamos muuuito pelo calor, pelo Sol, e nesta altura do ano estamos mais pálidos que urso polar, damos um jeito de pegar um bronzeado de leve.

E o nosso destino é o gramado do Central Park. Munidos de cangas, toalhas, sanduíches naturais, spray de água termal, protetor solar e muita água (aqui é proibido beber álcool em locais públicos). Cangas e toalhas estendidas no chão e voilá! O Central Park vira a nossa praia. Ficamos ali estirados, de biquíni, sunga, jogando frescobol ou passando a bola de futebol americano.

Qualquer tempo livre é motivo para um brunch (mistura de café da manhã e almoço), em um restaurante com mesas na calçada, curtindo o Sol, comendo ovos e tomando uma mimosa (drink tradicional do brunch, com champagne e suco de laranja). Os “beer gardens” ficam lotados: são bares ao ar livre, com mesas de madeira, onde só se bebe cerveja e se come cachorro quente ou hambúrgueres.

Quem mora aqui gosta de se cuidar e as pistas de cooper à beira dos rios Hudson e East ficam lotadas. Gente de bicicleta, correndo ou fazendo caminhada.

Mas um belo dia, geralmente no meio do verão, chega o pesadelo. É a onda de calor: um misto de Sol intenso e umidade muito alta. O resultado é a temperatura por volta dos 38° Celsius, mas com sensação térmica de 41° C. O bafo de ar quente na rua causa cansaço, coração acelerado, muita sede. O jeito é correr para uma loja, voltar rápido para o escritório ou pegar um cinema no fim do dia. E aí vem o choque térmico do ar condicionado super forte. Quem é mais sensível, como eu, passa então boa parte do verão de mau humor, com a garganta comprometida. A cidade ganha ainda um cheiro peculiar: uma mistura de lixo com esgoto, batizado de “cheiro do verão”.

Nessas semanas de calor intenso, é difícil ficar em casa – dá um tédio! Mas sair na rua nunca é a melhor opção porque a temperatura fica bem insuportável. A Pinkberry (lojinha de frozen yogurt) mais próxima vira então a opção de “passeio da noite”, só para dar uma refrescada.

Quando o pesadelo do verão chega, confesso que dá até vontade daquele friozinho de dezembro. Ainda bem que vontade dá e passa!

*Leda Letra é jornalista

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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2 respostas para Verão em Nova York

  1. Adorei! Ainda bem que “vontade dá e passa”! Viva o verão! Não conheço o verão de Nova York, mas acho que a cidade deve ficar mais alegre.

  2. Pingback: Por um inverno menos triste | Lugares e histórias

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