Entre tantas histórias, a minha é apenas mais uma

Por Fabiana Novello

Eu estava na altura da praça Roosevelt, atrás dos manifestantes. Era uma quinta-feira, o quarto protesto de estudantes. Os manifestantes já ocupavam as duas pistas da Consolação na altura da Maria Antônia. Um rapaz negociava com a polícia o trajeto. Eu e outros colegas acompanhávamos.

Tudo estava tranquilo até que vi algumas pessoas apressando o passo em direção ao início do movimento. Alguma coisa já acontecia: era a ação da polícia pela Maria Antônia. Correria. A Roosevelt então ficou lotada.

Um colega me alerta: “Fabi, o Choque chegou”. Sem olhar, digo: “Não é o Choque. São só viaturas passando”. Ele insiste: “Fabi, o Choque está aqui atrás”. Virei pra ver. E lá estava a tropa, perfilada, atrás da gente, alguns metros de distância, avançando como se não houvesse nada na frente. “Corre, corre”. Em segundos, veio a primeira bomba. Corri sem pensar. Vi uma mulher correndo desesperada com uma criança. Comerciantes diziam: “Entra, entra”. Eu entrei. Várias pessoas entraram. Portas fechadas. Bombas. Não via, só ouvia. O som cada vez mais alto. Parecia que a próxima seria contra o lugar em que eu estava. Coração acelerado. Medo. Foram alguns minutos sem saber como estava a situação lá fora. Alguém me disse que no andar de cima tinha uma pequena janela. Subi. E por um quadradinho bem pequeno fiquei observando a ação dos policiais, com receio de que me vissem, afinal apontavam para todos os lados. A Roosevelt foi “varrida”.

Não sei quanto tempo fiquei ali. O barulho das bombas foi ficando mais fraco, o que indicava que o Choque estava mais distante. Aos poucos, os skatistas que frequentam a Roosevelt voltaram. O comércio abriu. Eu saí e continuei meu trabalho numa noite que parecia que não teria fim.

Felizmente não me feri. Sorte que outros infelizmente não tiveram. Não foi a primeira vez que tive que fugir da Tropa de Choque, mas tomara que tenha sido a última. Esse foi o meu 13 de junho de 2013.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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2 respostas para Entre tantas histórias, a minha é apenas mais uma

  1. Gabriela Rangel disse:

    Pra mim,Fabi, esse foi o momento que a manifestação ganhou força e se tornou essa série de protestos.

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