Alerta de tornado ou nunca subestime a intuição de uma grávida!

Por Marcela Guimarães*

Vivo em São Paulo desde que nasci, sou repórter há 10 anos e já vi de tudo acontecer… com os outros. Nunca passei por um perigo extremo. Mas basta eu sair do Brasil em férias para encontrar as situações mais inusitadas. Eu e meu marido, também jornalista, já viramos até motivo de piada! Enfrentamos terremoto, nevasca, um atentado terrorista e, na última grande surpresa, um raro tornado que passou pelo estado de Michigan, em 2012. Claro que o tornado não chegou a nos atingir, do contrário não estaria aqui para contar. Mas passou perto! E pra deixar tudo muito mais emocionante eu estava GRÁVIDA de 5 meses!

Na época, contamos a história a alguns amigos e cheguei a postar um vídeo no face em mais um dos capítulos bizarros da nossa louca vida de viajantes. Mas, ao ver as cenas de pânico entre as vítimas do recente tornado em Oklahoma, eu “realizei” (como dizem os americanos) e pude entender os reais riscos que nós corremos naquele dia. Ver as cenas de uma mãe abraçando o filho, aliviada por encontrá-lo vivo na escola, me fez chorar compulsivamente.

Voltando ao tornado de Michigan, foi há pouco mais de um ano, quando eu e o Alencar passávamos um período sabático em Ann Arbor, uma cidadezinha tranquila e cheia de estudantes lá no norte dos Estados Unidos. Quando chegamos lá, todos me disseram: “Fique tranquila, tudo de ruim acontece abaixo de Michigan. Aqui não tem furacão, tornado, terremoto ou atiradores”. Acreditei, mas até a página dois.

Acordei com um aviso no meu celular: “Tornado warning!” A mensagem veiculada pelo governo do estado de Michigan alertava para a formação de tornados no sul e centro do estado, longe da pacata cidade de Ann Arbor. Questionei meu marido: “Será que temos que nos preocupar? O que a gente deve fazer?” Ele fez aquela cara de “lá vem a grávida desesperada” e disse pra eu não me preocupar porque estávamos rodeados de americanos que sabiam o que fazer. Nem naquele dia, nem no seguinte, o tal tornado apareceu.

Dois dias depois, numa tarde linda de Sol, com temperatura amena (para os graus negativos do fim do inverno gelado), saímos para um encontro entre jornalistas na fraternidade que ficava a 30 minutos de caminhada do nosso apartamento. Por uma sensação instintiva, olhei para o céu e vi lá bem longe nuvens escuras se formando. Senti um frio na barriga. E não era o meu bebê! Depois de dois quarteirões, aquelas nuvens estavam bem acima de nós. Comentei com meu marido e com um amigo argentino que caminhava conosco: “Vai chover. Acho que teremos que pegar um táxi”. Eles não deram a menor bola. Andamos mais três quarteirões e o dia virou noite. O meu coração acelerou e hoje tenho certeza de que era a minha intuição aguçada de grávida avisando que o perigo estava muito perto.

Insisti para que comprássemos pelo menos um guarda-chuva. O Alencar entrou numa loja. E, segundos depois, começou a cair a chuva. Eu e meu amigo Julian nos protegemos em um café ao lado. De repende, ouvimos uma sirene escandalosa. Procuramos a ambulância e não vimos nada. Lembrei-me das sirenes de aviso de tornado – vantagem em assistir ao Discovery Chanel – e comentei com o Julian. Ele, com aquele ar superior dos argentinos, me disse: “Marcê, estás loca? No, no, no! No hay tornados aqui”! Na mesma hora o Alencar chega, faço o mesmo comentário e recebo quase a mesma resposta: “Deve ser uma ambulância”. Mas a tal ambulância não aparecia.

Observo pedestres andando apressados e a rua fica vazia. No mesmo instante aparece o Tim, um fellow americano. Ele me pergunta: “Você escutou as sirenes?” E eu repondo: “Sim. O que são”? A reposta me congela: “Tornado warning”! Desesperada, perguntei o que devíamos fazer. Ele olhou para o céu e disse que ainda tínhamos tempo pra chegar porque o céu ainda estava amarelo. Se o vento parasse de repente e os pássaros sumissem, era pra entrar na primeira loja e se abrigar no porão. Tim saiu correndo na frente e nós nos apressamos na caminhada. Faltava pouco, mas foram os 15 minutos mais demorados da minha vida. O vento era forte, jogava tudo pra longe. O céu continuava amarelo e eu ainda conseguia ver esquilos correndo. Andávamos no meio da rua com medo de que algo caísse do telhado de alguma casa e nos atingisse. A chuva virou tempestade. Aumentamos o passo, mas a barriga pesada me impedia de correr. E o bebê chutava como nunca!

Quando chegamos à casa Wallace, TODOS os colegas nos esperavam aflitos. A porta do porão estava aberta. A qualquer sinal do tornado a ordem era pra todo mundo descer. Em segundos o céu escureceu, começaram a cair granizos e escutamos estrondos. Os relâmpagos eram assustadores! O vento parou. Segundos depois voltou com força total. Fechamos as portas e ficamos monitorando pela janela. Para quem mora em São Paulo, parecia um daqueles dias de chuva forte de verão que alaga a cidade toda. O problema é que uma tempestade forte como aquela, em boa parte do estado americano, normalmente vem seguida de um tornado. Cerca de uma hora depois, os ventos cessaram, a chuva parou e o Sol apareceu. Que susto!

Pouco tempo depois, havia na internet um vídeo do tornado, que devastou um bairro da cidade vizinha, muito, muito pertinho da gente! Mas como os americanos estão preparados pra tudo, mesmo no “fabuloso mundo de Michigan”, ninguém morreu.

Passado o susto, ficou a lição: NUNCA subestime a intuição de uma grávida!!

*Marcela Guimarães é jornalista, mãe e a viajante que conheço que mais atrai “notícias” em suas viagens.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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Uma resposta para Alerta de tornado ou nunca subestime a intuição de uma grávida!

  1. As histórias das viagens da Marcela Guimarães e do Alencar dariam um livro! Adorei, Ma! Obrigada por participar!

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