A pequena viajante

Por Flavia Bohone*

Quando a minha filha nasceu eu não tive dúvida que aquele era o momento mais especial da minha vida. Os dias e semanas passavam e eu não parava de pensar no quanto tinha sido abençoada por ser mãe de um bebê tão incrível. Eu até achava estranho que as pessoas sempre falavam que ter um bebê em casa, apesar de muito gratificante, dava muito trabalho. Sinceramente, eu não conseguia ver todo esse trabalho, só via a parte boa.

Desde que ela nasceu eu não consegui mais pensar em como era minha vida antes de ser mãe. Eu queria estar com ela o tempo todo e queria ter a oportunidade de fazer coisas incríveis ao lado dela. Por isso, a ideia de viajar e ver o mundo surgiu logo quando ainda era um bebê de poucos meses.

Quando estava perto de terminar minha licença maternidade comecei a pensar em fazer uma viagem em família. O primeiro passo, claro, foi conversar com a pediatra para saber o que ela achava. Com a liberação da médica, resolvemos marcar uma viagem curta, já que não tínhamos muito tempo de férias e não queríamos arriscar um longo período longe de casa.

Contrariando muito do que eu lia e ouvia por aí, nós decidimos encarar a aventura de viajar para o exterior com um bebê de quatro meses no colo. Claro que a viagem exige um planejamento diferente e lógico que há restrições nos passeios, mas nós resolvemos tentar e o resultado foi maravilhoso.

O destino escolhido foi Londres. Alguns motivos: eu ainda não conhecia, meu marido adora a cidade e há voo direto e noturno. Sim, voo direto e noturno era minha exigência para evitar um desgaste maior para a pequena viajante. O voo foi extremamente tranquilo e ela dormiu a viagem inteira. Quando estávamos saindo do avião ainda ouvimos dos outros passageiros comentários como: “nossa, eu nem sabia que tinha um bebê no avião”.

Para passear pela cidade optamos por não levar o carrinho e usamos o canguru. Como ela ainda era muito novinha, foi uma escolha que deu muito certo. Saíamos para andar, íamos a museus e diversos outros lugares. De tempos em tempos parávamos para comer algo, amamentá-la e trocar as fraldas. Um ponto alto de Londres: qualquer café de rua tem um trocador no banheiro e isso facilitou muito o passeio.

Depois dessa viagem, foram duas outras. Como ela já estava maior, a opção mais adequada foi levar o carrinho. Em cada viagem, como ela estava em uma nova fase, a experiência foi diferente. Todas foram incríveis. Na última, fomos a Nova York e vimos neve, muita neve. A felicidade da pequena viajante vendo a neve é indescritível. Ela via o chão coberto, não controlava a alegria e pedia para brincar lá fora.

Viajar com bebê requer um planejamento mais adequado. É preciso avaliar vários cenários, pensar na possibilidade da criança ficar doente, o que comer. É preciso se programar para chegar mais cedo ao aeroporto e avaliar bem o que levar na bagagem de mão, já que há restrições em voos internacionais. A escolha do hotel é muito importante. Ficar em um lugar de fácil acesso e com uma boa infraestrutura ajuda muito. Eu prefiro os que têm cozinha equipada, algo que eu nunca pensaria antes. Além disso, antes de fazer a reserva, eu também leio os comentários sobre o local, principalmente os feitos por famílias com filhos pequenos. Com esse planejamento pronto é só fazer as malas e aproveitar o passeio.

Durante a viagem, respeitar o ritmo da criança é fundamental. Se o bebê estiver cansado, a melhor coisa é voltar para o hotel e descansar. Não adianta querer ficar mais meia hora naquele museu se a criança já está cansada.

Claro que cada pessoa tem uma experiência diferente e as crianças também são diferentes. O que funciona pra mim não necessariamente funciona para outros. Hoje, não consigo me imaginar viajando de férias sem a minha pequena viajante ao meu lado. Nina, minha pequena viajante, tem um ano e nove meses e já é a melhor companheira de viagens que eu poderia querer.

*Flavia Bohone é jornalista e mãe da pequena viajante

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
Esse post foi publicado em Lugares, Viagem e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para A pequena viajante

  1. E essa pequena viajante é uma fofura!

  2. Carô disse:

    Adorei a matéria! E espero em breve tê-las como companheiras de viagem!

  3. Lello disse:

    Que delícia! Em breve vamos precisar de muitas dicas!

  4. Daniela Barbará disse:

    Flavinha, adorei as dicas.
    Costumo pegar o carro sozinha com o Benjamin também e é sempre bom ir brincando e rindo com ele pelas estradas entre as sonecas que ele dá no bebê conforto. Também não consigo me imaginar sem ele comigo! Parabéns pelo texto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s