Nas nuvens

Por Fabiana Novello

Eu sempre evitei escrever sobre avião aqui porque se acontecesse qualquer coisa, alguém poderia dizer: “ela estava prevendo”. Bobagem…

Eu não gosto de avião. Tenho medo. Mas supero. Claro que em cada turbulência mais forte, começo a rezar para todos os santos. E assim vou viajando… e observando como cada um enfrenta o seu medo. Alguns bebem, ouvem música, leem; outros dormem. E há aqueles que não estão nem aí: “se cair, caiu”. Eu queria ser assim.

A viagem nunca é confortável. Poltronas apertadas até pra mim, que sou pequena. Difícil encontrar uma posição pra ficar. As fileiras do meio são as piores. Principalmente se a viagem for muito longa. Pra sair do lugar é aquele trabalhão. Sempre tem alguém dormindo que você terá que incomodar. Por isso, procuro sentar nas poltronas dos corredores. 

Tem também a disputa por espaço para guardar a bagagem de mão (que preguiça!). E a comida? “Massa ou frango?” Sempre que a aeromoça pergunta isso, penso: qual é a diferença? Pra mim, seja qual for a comida servida, o gosto é o mesmo. E a sobremesa que, às vezes, a gente termina de comer sem ter ideia do que era? Claro que tudo isso é na classe econômica. A executiva deve ser melhor ou “menos pior”. Infelizmente ainda não tive essa experiência.

A primeira vez que viajei de avião foi pra Fortaleza, no Ceará. E foi bem ruim. Era um voo fretado que fez duas escalas. Eu passei mal em todas as decolagens e em todas as aterrissagens. Tão mal que a aeromoça me deu gelo pra tentar conter o enjoo. Por isso, voos fretados nunca mais. E desde então, não esqueço de tomar um remedinho.

Mas eu tive uma experiência ainda pior. Pra Morro de São Paulo, na Bahia. Eu tinha duas opções: duas horas num catamarã ou 10 minutos num avião. Decidi no impulso: avião! Afinal tenho medo dos dois, mas a viagem de avião era mais rápida e, portanto, sofreria menos. Um grande engano! A aeronave era dessas pequenas, para 4 passageiros. O tempo em Salvador, de onde partimos, estava completamente fechado. Chovia. Eu inclusive perguntei ao piloto se iríamos mesmo assim. E ele disse que não tinha problema algum. Foi a pior viagem que eu fiz. Nunca senti tanto medo e o remedinho não adiantou nada. Avião pequeno, desconfortável, quente, balançava como nunca. Foram os 10 minutos mais demorados da minha vida. Uma eternidade! Eu só pensava na volta. Como enfrentaria tudo aquilo de novo? Mas no retorno, o céu estava completamente azul, o que deixou a viagem um pouco menos sofrida. E tinha uma outra passageira tão apavorada que acho que me fortaleci no medo dela, por mais estranho que isso possa parecer.

Hoje, lido um pouco melhor com esse medo. Consigo até me distrair nas viagens longas. E tem um momento que chego até gostar de avião. Quando, lá de cima, vejo as nuvens. Se estou na poltrona da janela, fico olhando por alguns instantes, adivinhando seus desenhos e imaginando que poderiam ser de algodão.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
Esse post foi publicado em Lugares, Viagem e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Nas nuvens

  1. recemformada disse:

    Que legal Fabiana! Acredito que você não vai deixar de se encantar nunca. Bjos!!

  2. Pingback: Coisas que esqueci de dizer (ou escrever) | Lugares e histórias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s