Madri

Por Fabiana Novello

Paseo del Prado

Paseo del Prado

Madri. Outono. 9 graus. Era um fim de tarde de uma quarta-feira quando cheguei à cidade. A previsão do tempo indicava que as temperaturas cairiam ainda mais. Com todo esse frio, por que inclui Madri na minha viagem? Era só o que eu me perguntava.

A capital da Espanha entrou no meu roteiro praticamente na última hora. Meu objetivo era conhecer apenas Lisboa; no máximo, seus arredores. Afinal, não gosto de incluir várias cidades numa viagem só porque fica cansativo e acabo não conhecendo os lugares direito. Mas a decisão de última hora foi acertada. Madri me encantou de cara.

A cidade é elegante. Ainda tem prédios baixos, antigos, conservados. Ruas limpas. Muitas árvores. Madri respira. Em cada canto, uma praça. Sem contar os diversos monumentos (alguns pichados, infelizmente) e museus. Tudo me pareceu interessante. Até o que é feio, tem uma certa beleza. Das poucas cidades que conheço fora do Brasil, Madri é sem dúvida a mais bonita (pelo menos, até agora).

O frio, dessa vez, me atrapalhou. Os dias amanheciam com 4 graus e a temperatura máxima não passava de 9. Sabe aquele frio gelado que arranca lágrimas dos olhos e dá até dor de cabeça? Deixei de ir a alguns parques e lugares mais afastados. Ainda assim conheci vários lugares interessantes. Entre eles, o Mercado de São Miguel, que encontrei por acaso, já que não tinha nenhum roteiro feito para a cidade. Uma delícia! Paella, tortilla, sanduíches de presunto ibérico, torradas com atum, sardinha, bacalhau, queijos, vinho, churros e tantos outros doces. Como não experimentar um pouco de tudo?

Na capital espanhola, aprendi ainda que no futebol o clássico da cidade é entre Real Madri e Atlético de Madri. Aliás, esse era um dos assuntos mais falados durante os dias em que fiquei lá porque os dois times iam se enfrentar. Havia inclusive uma discussão sobre a permanência de José Mourinho no comando do Real Madri. Ele ficou e seu time venceu o dérbi por dois a zero.

Como em Lisboa, a crise também estava nos noticiários diários e nas ruas de Madri. Vi muitos restaurantes vazios. A cada dia, havia uma manifestação não só na capital, mas em diversas cidades espanholas. Os profissionais da saúde, por exemplo, estavam em greve. Em frente a um hospital, fizeram um protesto bem humorado usando uma coreografia que acabou ganhando destaque na imprensa.

Deixei Madri com a impressão de que a crise atingiu o bolso dos espanhóis e o orgulho. Não aceitam essa situação. Muitos procuram emprego em outros países, é verdade. Mas, os que estão lá reagem ou, pelo menos, tentam reagir. Querem que o país recupere seu espaço na Europa.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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5 respostas para Madri

  1. Não consegui registrar que gostei. Precisa de login e senha, não entendi. Gostei principalmente da referência às praças (Madri respira), da beleza no feio e do abuso gastronômico. Que delícia! Beijos

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