Lisboa

Por Fabiana Novello

Lisboa

Lisboa

Saudosa e um pouco melancólica. Foi assim que Lisboa se apresentou pra mim no primeiro olhar. E também no segundo, no terceiro… Não que é não exista alegria na cidade. Mas é como se precisasse de um abraço pra fazer o sofrimento passar. Como um fado mesmo.

A crise que Portugal enfrenta talvez tenha reforçado as minhas impressões já que parece estar estampada no rosto de sua gente. Os cortes no orçamento, o aumento de impostos e a falta de emprego são assuntos diários nos noticiários. Uma semana antes de eu chegar a Lisboa, houve uma greve geral de um dia em protesto contra as medidas que vem sendo adotadas. Um esboço de reação de um povo que me pareceu um tanto resignado.

Em poucos dias na cidade, ficou tão evidente pra mim a influência que os portugueses tiveram em nossos hábitos e comportamentos; e até preconceitos, que infelizmente ainda existem no Brasil, penso que são, de certa forma, herança de nossos colonizadores.

Mesmo com as dificuldades, Lisboa também se mostrou leve e doce. Aconchegante como uma cidade pequena, mas com as facilidades e serviços de uma cidade grande. Seu povo é simples e elegante. Sabe receber aquele que vem de fora.

Torre de Belém

Torre de Belém

As ruas estreitas de alguns bairros, as ladeiras, as construções antigas com fachadas preservadas, o bondinho, a delícia de estar fora de seu país e poder falar seu próprio idioma. Difícil dizer o que mais me agradou em Lisboa. No início, elegi a Torre de Belém como o meu lugar favorito. Afinal, está na beira do rio Tejo. E ali, tudo é bonito. Mas depois vieram tantos outros lugares como o Castelo de São Jorge e Alfama que decidi que todos têm seus encantos.

A comida, o azeite, os pastéis de nata e todos os outros doces. Em Lisboa, comer bem não é sinônimo de gastar muito. É sempre um prazer.

Nas ruas, há referências a escritores portugueses. As cinzas de José Saramago foram colocadas sob uma oliveira em frente a Fundação que tem o seu nome. O túmulo de Fernando Pessoa está no Mosteiro dos Jerônimos, com o poema de Ricardo Reis, um de seus heterônimos:

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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5 respostas para Lisboa

  1. Vagner Magalhães disse:

    É isso, Fabi. Disse tudo…

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