Um amor chamado Berlim

Por Renata Miranda*

Torre de TV em Alexanderplatz, Berlim

Confesso que não foi amor à primeira vista. Quando cheguei em Berlim tudo me pareceu um pouco estranho. Demorei para entender o traçado do muro que dividiu a cidade por quase 30 anos. Não entendia o que as pessoas falavam e achava um exagero a presença constante dos salsichões na dieta dos alemães.

Foi com o passar do tempo que fui compreendendo o que tudo aquilo significava. Conhecer Berlim foi como o melhor dos namoros. Daquele tipo que você vai aprendendo aos poucos quem é o outro e vai, literalmente, tropeçando em sua história – os pequenos blocos dourados colocados na frente de algumas casas da cidade, um pouco acima do nível da calçada, estão ali para contar quem eram as pessoas que moravam naqueles lugares e foram levadas pelo nazismo durante a 2a. Guerra. Berlim não te deixa esquecer.

Mais de duas décadas depois da queda do muro, as cicatrizes deixadas pela cortina de ferro ainda estão ali. Mesmo assim, a cidade não se deixa abalar. Os bares de Kreuzberg, o mais boêmio dos bairros onde está a maior concentração de turcos fora da Turquia, e a camaradagem nos trens das linhas U-1 e U-8, os “metrôs da balada”, são apenas mais uma evidência de que Berlim é uma das cidades mais incríveis do planeta. Lá, gente do mundo todo, das mais variadas culturas e orientações – seja política, religiosa ou sexual -, vive e convive em harmonia. Com felicidade.

E é assim que o encanto pela cidade vai crescendo cada vez mais. Do autêntico currywurst, a comida de rua típica de Berlim, até Alexanderplatz, por onde todos os caminhos parecem passar.

*Renata Miranda é jornalista e passou 3 meses em Berlim

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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4 respostas para Um amor chamado Berlim

  1. Que privilégio o meu ter no blog 2 posts sobre Berlim: um sobre a cidade na época da queda do muro e outro da Berlim de agora. Obrigada!

  2. Pingback: Berlim?! | Renata Miranda

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