Havana

Por Fabiana Novello

Imagem de Che Guevara em prédio da Praça da Revolução, Havana. “Hasta la victoria siempre”

Quando pude fazer uma viagem internacional (porque tinha juntado um dinheiro), decidi que o primeiro destino seria Cuba. Queria conhecer a ilha antes que Fidel Castro deixasse o poder. Isso foi há 9 anos. Fidel ficou doente, deixou o poder e Cuba aparentemente continua a mesma.

Cheguei ao país em outubro de 2003. Sozinha. Para uma viagem de 10 dias. Varadero (que ficará para um outro post) e Havana. No aeroporto da capital cubana me senti como se estivesse num filme sobre a Guerra Fria. Ali tive a certeza que a ilha pertencia (ou pertence) a um outro mundo. Havana se mostrou pra mim como uma cidade parada no tempo; no nosso tempo.

O Brasil estava na cabeça dos cubanos. Lula tinha feito, dias antes, sua primeira visita a Havana como presidente. Uma cubana, integrante do partido comunista, chegou a me dizer que “Lula faria a revolução no Brasil”. Nas ruas de Havana, os cubanos sabiam quem eram os turistas. No meu caso, no entanto, ouvi de alguns que eu parecia uma cubana. Usei o transporte público deles e entrei na cerimônia do Canhonaço como se fosse uma cubana. Aos turistas pediam leite, produtos de higiene, se ofereciam como guias. E sobretudo conversavam. Pouco sobre política. Dos mais velhos, ouvi, na época, que tinham medo de uma eventual saída de Fidel do poder. Dos mais jovens, ouvi que não conheciam nada além da Revolução. Todos eles concordavam num ponto: nas críticas aos norte-americanos e ao embargo econômico.

Carros antigos, prédios suplicando por reformas, as referências a José Martí, a Praça da Revolução com aquela imagem imensa de Che. “Hasta la victoria siempre”. Uma nostalgia! O calor, a comida, o povo, o sotaque, a cultura, o Malecón me convidando para olhar o mar. Não foi difícil me encantar. E se Havana me encantou, também me incomodou. Sobretudo a falta de liberdade. No país da Revolução, só o cubano que tem uma carta convite sai.

Escrevendo esse texto, penso se algum dia vou voltar. Quem sabe? E tenho a certeza de que, há 9 anos, não poderia ter feito escolha melhor.

Sobre fabiana novello

jornalista que gosta de lugares e histórias
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5 respostas para Havana

  1. Luciana Novello disse:

    Muito bom!!!

  2. Leda disse:

    O post anterior, do Rapha, me fez lembrar o Che do Diarios de Motocicleta. Nao o filme, o livro mesmo, que obviamente eh bem melhor. Che so virou Che porque um dia Ernesto saiu da Argentina e la fora, tentou entender seu pais e a America Latina. Interessante esse seu post ser exatamente sobre Havana. Tb acho que vc nao poderia ter feito escolha melhor!

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